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As 10 maiores indústrias de HPC do país e as projeções para 2020

A consultoria Euromonitor apresentou um ranking das dez maiores fabricantes de higiene e beleza em atuação no país, com base no faturamento de 2019 – período em que o setor teve movimento recorde de R$ 116,8 bilhões e cresceu 3,9% em relação a 2018. Porém, a pandemia da Covid-19 vem trazendo desafios extras para as marcas em 2020 e compromete a continuidade do ritmo dos anos anteriores.

As próprias projeções de evolução do setor tiveram de ser revistas pela Euromonitor. Enquanto a receita avançou 17,2% nos últimos cinco anos, a aposta para os próximos cinco é de apenas 5,1%, o que totalizaria R$ 122,7 bilhões. O resultado no grande varejo farmacêutico parece refletir essa perspectiva mais conservadora. De acordo com a Abrafarma, as chamadas vendas de não medicamentos aumentaram mais de 8,31% entre janeiro e março, em comparação ao três primeiros meses de 2019, bem abaixo do crescimento geral de 15,59%.

No top 10 do setor, três companhias destacaram-se pelo market share acima de dois dígitos, quase o dobro do percentual da quarta e quinta colocadas. Natura & Co, Grupo Boticário e Unilever concentram mais de 35% de participação.

  • Ranking de fabricantes em market share % (2019)

Natura & Co

11,9

Grupo Boticário

11,8

Unilever

11,5

Colgate-Palmolive

6,1

L´Oréal

6,1

P&G

5,9

Coty

4,6

Avon Products

4,1

Johnson & Johnson

3,7

Beiersdorf

3,2


  • Revisões em 2020

A Natura & Co alcançou R$ 14,4 bilhões de receita líquida no ano passado, impulsionada pela aquisição da antiga rival Avon. No entanto, o período de janeiro a março trouxe um prejuízo líquido de R$ 820,2 milhões, ante perda de R$ 82 milhões no primeiro trimestre de 2019. O mercado financeiro observa esse cenário com cautela. Embora tenha atualizado o preço-alvo das ações de R$ 36,20 para R$ 43,90, o Banco do Brasil Investimentos (BB-BI) manteve a recomendação neutra para a empresa.

O Grupo Boticário conseguiu uma receita levemente superior no ano, chegando a R$ 14,9 bilhões, o que equivale a uma alta de quase 10%. O resultado ainda não foi suficiente para desbancar a Natura & Co da liderança, mas refletia um forte movimento de aquisições da companhia, que comprou a Vult e o e-commerce Beleza na Web nos últimos dois anos. A pandemia, entretanto, fez a receita zerar em março de 2020, graças ao fechamento em massa de lojas e a queda radical nas vendas.

A Unilever até suspendeu qualquer projeção para este ano após ver os indicadores dos mercados emergentes caírem 1,9% entre janeiro e março. No Brasil, a empresa ainda teve perdas mais modestas em razão do segmento de desodorantes e de produtos para higienização, uma performance distante da de 2019, quando o país liderou o incremento de 5,1% na América Latina.

  • Desempenho global do Brasil

Quando analisada a performance global do setor, o Brasil sustentou a quarta posição no ranking mundial de consumo de higiene e beleza, com uma boa distância em relação a países europeus e à Índia. Mas o montante de US$ 29,6 bilhões ainda deixa o mercado brasileiro longe do Japão, duas vezes menor que a China e três do que os Estados Unidos.

  • Top 7 consumidores em 2019 (US$ bilhões)

Estados Unidos

92,85

China

69,15

Japão

38,9

Brasil

29,61

Alemanha

19,34

Reino Unido

16,91

Índia

14,78

 

Fonte: Redação Panorama Farmacêutico